A moqueca da bisavó Benedita — a receita de verdade (e por que a minha nunca fica igual)
A bisavó Benedita fazia a melhor moqueca da família. Ninguém discute isso. Já houve briga na mesa pela última colherada, em aniversários com trinta pessoas.
A receita que a minha mãe me deu num guardanapo amassado diz assim: «peixe firme, leite de coco, azeite de dendê, pimentão, cebola, coentro, tomate — tudo na panela de barro.»
Mas o segredo, descobri anos depois, não estava nos ingredientes. Estava no tempo. A Benedita refogava por quarenta minutos exatos, sentada num banquinho ao lado do fogão, com o rádio numa estação de samba. Se parasse antes, ficava aguada. Se parasse depois, agarrava no fundo.
O samba era coisa séria. Ela dizia que a moqueca «precisava ouvir Dorival Caymmi para pegar o gosto».
Já tentei vinte e três vezes. Nunca fica igual. Desconfio que seja porque eu ouço podcast.
Comentarios (2)
Precisamos urgentemente de uma aula de moqueca. Marca uma data, tia.
O rádio era um Philco marrom. Ainda tenho.