Como fazer uma árvore genealógica passo a passo (sem complicação)
Fazer uma árvore genealógica parece um projeto enorme, daqueles que ficam "para quando tiver tempo". A verdade é que dá para começar em dez minutos, e o importante não é fazer perfeito: é começar enquanto as pessoas que guardam as respostas ainda podem dar essas respostas.
Este guia é o caminho mais curto. Sem jargão, sem exigir que você vá a um arquivo, e com um ponto de partida que quase todo mundo ignora: a sua própria memória.
Passo 1 — Comece por você, e suba
O erro mais comum é começar pelo antepassado mais distante: "vou descobrir quem foi o primeiro Oliveira que chegou ao Brasil". Isso é o final da história, não o começo. Comece por você, seus pais, seus avós — as pessoas cujos nomes completos você já sabe ou consegue perguntar hoje.
Para cada um, anote só quatro coisas: nome completo (com todos os sobrenomes, inclusive o de solteira), data e cidade de nascimento, quem são os pais. Se não souber a data exata, "por volta de 1950" já é um dado. Se não souber a cidade, o estado. Em meia hora você tem três gerações — e uma lista clara do que falta.
Passo 2 — Ligue para quem sabe
Antes de qualquer documento, existe uma pessoa na família que sabe mais do que todos os cartórios juntos: a tia mais velha, a avó, o primo que "sempre gostou dessas coisas". Uma ligação de vinte minutos rende mais do que um mês de pesquisa.
Não pergunte "me conta da família". Pergunte por uma pessoa de cada vez: "a mãe da vó Lourdes, como se chamava? De onde ela era?" Estas 50 perguntas foram feitas para isso. E anote também o que não é data: o apelido, o ofício, a razão da mudança, a história que sempre contam no Natal. Uma árvore só de datas é uma tabela; uma árvore com histórias é a família.
Passo 3 — Junte os papéis que já existem em casa
Antes de pedir uma certidão a um cartório, abra as gavetas. Quase toda família guarda, sem saber:
- Certidões de nascimento, casamento e óbito — cada uma traz os nomes dos pais da pessoa, ou seja, uma geração a mais de graça.
- Carteiras de trabalho, títulos de eleitor, certificados de reservista — com datas e endereços.
- Fotos com anotação atrás — "Tia Nair e Zé, Santos, 1961". Um tesouro.
- Cartas, convites de casamento, santinhos de missa de sétimo dia — que trazem nomes, datas e lugares.
- A Bíblia da família ou o caderno de receitas, onde muita gente anotava nascimentos e mortes.
Fotografe tudo com o celular. Não precisa organizar agora; precisa não perder.
Passo 4 — Quando faltar alguma coisa: cartórios, paróquias e listas de imigrantes
Só agora vale a pena sair de casa — ou nem isso, porque boa parte está na internet.
Registro civil. No Brasil, o registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos existe desde 1889. Se você sabe a cidade e o ano aproximado, o cartório de registro civil daquela cidade emite a certidão (muitos hoje atendem pela internet). A certidão de casamento dos bisavós é geralmente o documento que mais abre portas: traz os nomes dos pais dos dois, as idades e as cidades de origem.
Livros paroquiais. Antes de 1889 — e em muitas cidades, bem depois — quem registrava era a Igreja: batismo, casamento e óbito. Grande parte desses livros foi digitalizada e pode ser consultada online em acervos genealógicos gratuitos; o resto está na diocese ou na própria paróquia.
Listas de imigração. Se a família chegou de navio entre 1870 e 1950, procure as listas de passageiros e os registros de matrícula das hospedarias de imigrantes — os de São Paulo estão preservados no Museu da Imigração. Lembre que a grafia do sobrenome pode ter mudado na chegada: procure com a forma original e com a "aportuguesada".
A regra de ouro: cada documento tem que dar um nome novo ou uma data nova. Se não dá, você está colecionando papel, não fazendo uma árvore.
Passo 5 — Coloque tudo em um lugar que a família inteira alcance
Aqui está a decisão que separa as árvores que crescem das que morrem em uma pasta.
No papel ou em uma planilha você vai até três, quatro gerações, e depois perde o controle: os irmãos dos avós, os primos de segundo grau, as fotos que não cabem em uma célula. E, pior, só você tem acesso. Quando você para, a árvore para.
Em uma árvore online que a família preenche junto, cada pessoa tem a sua ficha — nome, datas, cidades no mapa, profissões, fotos, as histórias que contou — e cada parente recebe um convite para completar a parte que só ele sabe. A tia de Belo Horizonte coloca a foto do casamento dos pais. O primo de Curitiba corrige a data do bisavô. A árvore cresce sem você.
É assim que funciona o Familión: você começa a árvore com o que lembra, convida a família por link, e cada um cuida da própria ficha e da dos parentes que conheceu. É grátis, não tem anúncio, e os bichos da família também têm o seu lugar. Um exemplo de como fica: a família de demonstração, com um bisavô que chegou do Porto em 1921, foi tipógrafo em São Paulo por quase cinquenta anos e morreu num 2 de novembro. Antes era um nome numa certidão. Agora é alguém.
Passo 6 — Não pare nas datas
Uma árvore que só tem nascimentos e mortes responde "quem". A que vale a pena responde "como": como se conheceram, por que saíram do interior, o que faziam aos domingos, que receita a bisavó nunca escreveu. Quatro coisas que fazem toda a diferença:
- Uma foto por pessoa. Mesmo que seja a do documento. Um rosto muda tudo.
- O lugar no mapa. Onde nasceu, onde morou, onde morreu. A migração da família aparece sozinha.
- Uma história por pessoa. Uma só. Com as palavras de quem contou.
- Os bichos. O cachorro que esperava o avô na porta é parte da família. Os netos vão querer saber o nome dele.
Os erros mais comuns (e como evitar)
- Confiar em uma única fonte. A tia jura que o bisavô era italiano; a certidão diz que nasceu em Minas. Anote as duas versões até uma prova decidir.
- Perder o nome de solteira. Até 1977 a mulher era obrigada a adotar o sobrenome do marido, e a maioria continuou fazendo isso por décadas. Registre sempre o nome de nascimento.
- Ignorar irmãos e primos. A linha direta é o esqueleto; os colaterais são onde estão as fotos, as cartas e as histórias.
- Querer terminar. Uma árvore nunca termina. Você termina o que sabe hoje — e amanhã alguém da família acrescenta o resto.
- Deixar a árvore só com você. Se ela vive no seu computador, morre com o seu computador.
Perguntas frequentes
Por onde começo se não sei quase nada? Por você. Nome completo, data e cidade de nascimento, pais. Depois uma ligação para a pessoa mais velha da família. Em uma tarde você tem três gerações.
Quanto custa fazer uma árvore genealógica? Nada, se você usar o que a família já sabe e uma ferramenta gratuita. Certidões de cartório têm um custo pequeno; a maior parte dos livros paroquiais e das listas de imigração pode ser consultada de graça online.
Como faço com sobrenomes que mudam de um documento para outro? É normal no Brasil: mulheres que casaram, escrivães que escreviam o que ouviam, sobrenomes devocionais usados quase como títulos. Anote todas as variantes na ficha da pessoa. Este artigo explica por que isso acontece.
Meus avós já morreram. Ainda dá tempo? Dá. As certidões, os livros paroquiais e as fotos anotadas contam boa parte. E sempre existe uma prima distante que guardou uma carta.
Comece hoje, com o que você lembra. Crie a árvore da sua família grátis em familion.app e convide quem sabe o resto.