A vez que o bisavô atravessou o Atlântico com um papagaio escondido no casaco
Era 1921 e o bisavô João partia do Porto para São Paulo com tudo o que cabia numa mala. Mas havia um detalhe: o Capitão, o papagaio da família, passara vinte anos na cozinha repetindo palavrões em quatro línguas.
Não podia deixá-lo. Então fez o que qualquer bisavô razoável faria: enfiou-o no bolso interno do casaco, deu-lhe meia bolacha embebida em aguardente para o adormecer, e rezou.
O Capitão dormiu até o navio começar a atracar em Santos, exatamente o momento em que decidiu recitar todo o seu repertório de palavrões, bem quando passava o fiscal da alfândega. O bisavô disse: «É o sistema de aviso do navio, senhor.» O fiscal não achou graça.
O Capitão viveu mais catorze anos em São Paulo. Aprendeu a dizer «bom dia», mas nunca largou os palavrões portugueses.
Comentarios (3)
O Capitão! Lembro-me dele gritando com a minha mãe quando tínhamos oito anos.
Sempre achei que essa história fosse inventada. Preciso de provas.
@Tomás existe uma foto de 1932 com ele no ombro do bisavô. Subo hoje à tarde.